domingo, 25 de outubro de 2009

acordes

*

Eu acordei tu não estava´ ao lado
despi-me da cama e não há vias, cama
calei-me... pés e nós atados
o silêncio e o som
não havia, calados
mais nada de bom.

*

domingo, 2 de novembro de 2008

fumar

*

O ato mais natural do homem é fumar
Porque todo humano vive nas névoas
E a todo o momento ele jaz à míngua
Tragando o tormento engolindo as trevas

E a todo momento retorna às cinzas
Pagando por algum preço
Tropeço cada passo em falso
Faltando-lhe todo piso
Pisando em desembaraço

E a única chama, verdadeira guia
É a brasa acesa do cigarro
Se apagando como ele um dia
Não restando dele nem um traço

*

sexta-feira, 29 de agosto de 2008

verte

*

ver-te
é verter a vista
é ver só verso
é terra à vista
e mesmo assim ficar a ver
pavios

*

terça-feira, 29 de julho de 2008

Navaia

*

Navaia coração adentro
é meu amor por Nataia
Machuca de tão atento
o coração que me faia

E já me faz tanto tempo
que não a vejo de saia
que os verso é só desalento
e os canto viraram vaia

Então a levo aqui dentro
em vão lhe elevo altares
Menina que é deusa maia
por quem cruzei tantos mares

Eu quero tanto a Nataia
soprando coração adentro
seu peito de deusa maia
no meu feito só de vento

*

segunda-feira, 14 de julho de 2008

vala

*

não há lâmina para um corte tão fundo
nem prédio tão alto, nem ponte nem salto
se eu não tenho peso, se eu não peso nada
se me tomam de assalto
se eu não valho nem somo,
se eu só tomo valium
so far, sou fardo,
falso fim-da-estrada
e mais dia, menos dia
vou me desaparecer
fardada.

*

quinta-feira, 8 de maio de 2008

natalia

*

é quando a minha garganta
já por sufoco não canta
vai se apertando e após
engole a dor e seus nós
como uma calma que invento
então é nesse momento
que eu quero a tua voz
a tua voz
a tua voz

é quando estou entre os muros
dos meus recantos escuros
lá onde o sol não reluz
e o meu olhar se reduz
não vê nem mesmo se tento
então é nesse momento
que eu quero a tua luz
a tua luz
a tua luz

é quando o medo me traga
e o meu lado herói se apaga
e a luta perde a razão
e em vez de ir, digo não
apenas por desalento
então é nesse momento
que eu quero a tua mão
a tua mão
a tua mão

é quando aflora a carência
a fome, o frio, a tendência
à solidão e aos receios
da minha infância e os anseios
mais infantis que alimento
então é nesse momento
que eu quero os teus seios
os teus seios
os teus seios

*

(Gildes Bezerra)

*

quarta-feira, 9 de abril de 2008

palavras

*

trocava todas as palavras
trocava o final da rua
por um grãozinho que fosse
de meia palavra tua

*